28.11.06
Parecia que o chão saia de debaixo dos seus pés e o céu desabar sobre sua cabeça. Sentia-se vulnerável, como se a qualquer momento seu coração fosse parar de bater e não lhe sobrasse mais nada a não ser sete palmos de terra acima de seu corpo que já estava inerte e sem vida apesar do sangue insistir em correr em suas veias. O vento lhe cortava a alma em tantos pedaços que não sabia como conseguir juntar tudo de novo. Os cacos escorriam por entre os dedos e nada que fazia para mantê-los inteiros lhe davam resultado. Parou debaixo da árvore esperando a queda do céu e começou a chorar copiosamente com o coração na mão que lhe olhava com desprezo. E tal desprezo lhe deu vontade de jogar fora aquela peça inútil que só que causava desespero, medo e lágrimas. Fechou os olhos e esperou. Esperou que o fim chegasse. Mas o fim nunca chegou.
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