Andava debaixo da chuva tentando em vão não molhar os pés. As dores nas pernas e nos braços pareciam que não ia nunca ter fim e tudo o que mais desejava naquele momento era um guarda-chuva ou dinheiro suficiente para pagar um táxi, afinal estava tarde demais e não havia ônibus àquela hora da noite. Tentava se esconder de baixo de árvores, toldos ou qualquer outra coisa que fosse útil, mas a chuva era tão forte que seus esforços foram em vão. Praguejou contra Deus, os santos e toda forma de divindade pela chuva que não se cansava de cair e que provavelmente lhe renderia alguns bons dias debaixo das cobertas tomando chá de limão e remédios que demoravam a fazer efeito.
O frio parecia lhe castigar de algum mal que tinha feito e não sabia, qual maldade havia cometido, meu Deus?! Começou a pensar o que afinal estava fazendo na rua, tão tarde tomando tamanha chuva e então lembrou dela. De seus longos cabelos, seus olhos fundos, sua pele clara e aquelas covinhas que se formavam em seu rosto sempre que sorria. Parou, olhou o céu e pensou que afinal de contas valia a pena toda essa chuva. Valia a pena estar ali quase morrendo de frio, porque mesmo se morresse lembrava que ela estivera junto dele algumas horas antes e sabendo disso morreria feliz.
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