27.4.06

Se olhou no espelho e nada de viu de especial. Apenas aquele mesmo rosto, com suas olheiras, os cabelos desgrenhados, o peso em seus olhos. Saberia de cada passo que seria dado. Iria tomar seu café, trocar de roupa e sair correndo, sempre atrasada. Chegar no trabalho, olhar para o mesmo chão brilhante que refletia as lâmpadas acima de sua cabeça, parar na máquina de café, conversar com a máquina como se ela pudesse ouvir qualquer um de seus lamentos e se sentar na frente do computador para começar um longo dia de tédio, chateação e desânimo. Voltaria para sua casa morrendo de sono e com dores de cabeça, mas ao chegar não dormiria e não tomaria qualquer remédio, afinal depois tudo voltaria de novo. Pegaria algum livro para ler sem se concentrar ou assistiria algum programa na T.V. sem prestar atenção, jantaria um prato enorme para ver se pelo menos a comida diminuiria o vazio que sentia, lavaria os pratos e antes de dormir, na frente do espelho, se depararia com o mesmo rosto, com as mesmas olheiras, os cabelos desgrenhados e o peso nos olhos sabendo que o dia seguinte seria exatamente igual.

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